Resultados Bahia

Os dados apontados neste mapeamento resultam da declaração de músicos, musicistas, maestros, maestrinas, presidentes, diretores (as), alunos(as), pais de alunos(as) de filarmônicas, além de dirigentes e ex-dirigentes municipais de cultura, simpatizantes, cidadãos e cidadãs.

As informações foram coletadas via formulário de pesquisa disponibilizado neste site e pesquisa de campo ativa realizada por pesquisadores do projeto Mapa das Filarmônicas da Bahia através de telefone, WhatsApp, SMS e email. Dados e imagens utilizados neste Mapa também foram obtidos em redes sociais e páginas de Internet.

O catálogo das filarmônicas da Bahia (no prelo) da Fundação Cultural do Estado (2009),  o registro Bandas de Música da Funarte (2018) e dados fornecidos pelo coletivo Filarmônicas Unidas na Bahia (FUB) também serviram de base para este mapeamento.

Foram identificadas entidades em atividade, mas também filarmônicas que já existiram nos municípios baianos. O levantamento das filarmônicas antigas e inativas lançou mão de pesquisas acadêmicas como monografias, dissertações, teses e livros, em sua maioria acessíveis na Biblioteca Virtual deste site.

O Mapa das Sociedades Filarmônicas da Bahia identificou 328 bandas ou sociedades filarmônicas. Do total de filarmônicas mapeadas, 154 entidades estavam ativas em 2020/2021. 

Baixe aqui o Mapa em pdf

Distribuição territorial

Este mapeamento tomou como referência os Territórios de Identidade da Bahia, agrupamento regional de municípios criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e adotado pelo Governo do Estado da Bahia a partir de 2007.

Na comparação, dos 27 Territórios de Identidade da Bahia, identificamos os seguintes destaques na existência de sociedades filarmônicas:

Se consideramos o total de filarmônicas já criadas nos territórios, o Metropolitano de Salvador toma a dianteira, com 31 sociedades filarmônicas ativas e inativas, seguido do Recôncavo com 27, da Chapada Diamantina com 25 e do Sertão Produtivo com 20. 

Todos os Territórios de Identidade da Bahia têm ou já tiveram sociedades filarmônicas. Atualmente somente o território do Vale do Jiquiriçá não possui filarmônica em atividade em nenhum dos seus municípios. Dos 27 Territórios de Identidade da Bahia, 14 mantém pelo menos uma sociedade filarmônica centenária em funcionamento. 

Santo Amaro é o município com a maior concentração de filarmônicas ativas do estado da Bahia. 

As Bandas

Atualmente a Bahia reúne cerca de 4200 músicos de banda filarmônica. Desse total, menos de 1000 são mulheres. A farda tradicional ainda está presente em 71% das filarmônicas em atividade (110).  E das 116 filarmônicas que afirmam ter arquivo de partituras, 60% deles está em condições inadequadas  (69).

Os dados do mapeamento também confirmam que a condição de sociedades musicais das bandas filarmônicas baianas tende a desaparecer. Das 154 filarmônicas ativas mapeadas, 135 afirmaram que possuem poucos ou não possuem mais sócios. E aqueles poucos ainda existentes, já não contribuem com a cota mensal.

Escolas de música

Do total de filarmônicas ativas, dez não mantêm a escolinha de música da filarmônica, possuem somente a banda. As 144 escolas de música das bandas filarmônicas baianas atendem a cerca de 3400 alunos, 1050 deles são meninas. A maioria dos estudantes tem entre 12 e 14 anos de idade. Da Capo, Artinha e Batuta correspondem aos métodos de ensino mais empregados na iniciação musical pelas filarmônicas baianas. Os próprios maestros/maestrinas das bandas são responsáveis pela formação musical na maioria das escolas das filarmônicas.

A condição dos instrumentos das sociedades filarmônicas é bastante precária. A maioria delas indicou que os instrumentos são insuficientes para o número de alunos(as) ou músicos/musicistas e estão já desgastados pelos anos de uso. Metade das filarmônicas afirmou ter instrumentos com defeito, em maior ou menor proporção.  

Dificuldades

Muitos são os desafios apontados pelas filarmônicas baianas ativas. A pandemia da COVID-19 foi, sem dúvida, a principal dificuldade identificada. A impossibilidade de realização de atividades presenciais, a perda de apoios institucionais, a evasão de estudantes, o impedimento de apresentações nas ruas e e em eventos são algumas das principais questões impostas à realidade destas entidades em 2020 e 2021.

Excetuando o contexto pandêmico mundial e seus impactos diretos na vida cotidiana, as filarmônicas baianas apresentaram os entraves financeiros, os problemas relacionados diretamente à aquisição, manutenção e reparo de instrumentos e a falta de reconhecimento político e institucional como os maiores desafios para a sua sobrevivência.

As questões relacionadas ao espaço físico, como a ausência de sede ou de qualquer outro ambiente para ensaios, a necessidade de reforma ou adequação das estruturas, também foram apresentadas. Assim como, em menor incidencia, 10 entidades apontaram as dificuldades organizacionais (administrativa, sócios, disputas etc.) e eventualmente foi mencionado o embate na atração de novos alunos(as).